A forma como a palavra email aparece em português é mais confusa do que deveria ser
A maioria das pessoas escreve "email" sem traço, mas isso não é uma regra clara há décadas. Eu costumava levar meia hora pra decidir na hora de revisar textos quando eu ainda trabalhava com produção editorial. O problema não é a grafia em si, é que não existe uma norma definitiva aplicada no dia a dia. O Acordo Ortográfico de 1990 tentou resolver essas brigas, mas na prática as redações e os setores jurídicos ficaram com versões diferentes. A versão com hífen, e-mail, existe porque o prefixo grego "electro" se encontra com "mail" e, pela regra dos hífens, quando o segundo elemento começa com "m", usa-se traço. Isso vale pra outras palavras também: e-mirim, e-coleta. A lógica é a mesma.
Como se escreve a palavra email
Se você olhar pra normas formais, a maioria dos manuais de redação — Folha de S.Paulo, BBC Brasil, grandes editoras — aceita tanto "e-mail" quanto "email". A Variação da Língua Portuguesa do VOLP, que é o dicionário de referência da Academia Brasileira de Letras, registrou "e-mail" como forma aceita, mas "email" também já aparece em usos consolidados. Ou seja, tem legitimidade dos dois lados. No entanto, se você estiver escrevendo um documento formal, um trabalho acadêmico ou algo que precise seguir uma norma específica, aí a coisa muda. A NBR 6023 da ABNT, que regula referências bibliográficas, não entra nesse mérito gramatical, mas as revistas científicas frequentemente exigem que você adote uma grafia e mantenha consistência. Eu já perdi tempo revisando um artigo inteiro só porque o coautor tinha usado "email" nos parágrafos e "e-mail" nas citações. O parecerista pediu correção.
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Um detalhe que quase ninguém lembra: a palavra não deve ser grafada em negrito ou itálico quando aparece em texto corrido, porque já está completamente aportuguesada no uso. Colocar itálico em "e-mail" é redundante. Já vi gente fazendo isso em relatórios corporativos e soa amador. Outra pegadinha comum é o plural. Escrever "e-mails" com plural em inglês no final é aceitável, mas "emails" (sem hífen e já no plural) é a forma mais natural hoje. Eu recomendo usar "emails" mesmo em contextos formais. O uso tem evoluído nessa direção e a resistência é mais costume do que regra.
Se o seu objetivo é simplesmente saber qual forma usar num e-commerce, num contrato ou numa comunicação interna, aqui vai o caminho das pedras: use e-mail em documentos que exigem formalidade técnica, use email em comunicações do dia a dia. O importante é não ficar alternando entre as duas no mesmo texto. Isso não passa uma imagem boa e pode gerar dúvidas desnecessárias sobre quem revisou seu material.