Como Ocorre A Menstruação - Menstruação: O Que É, Ciclos, Sintomas E Como Lidar – EPWFC
Menstruação: O Que É, Ciclos, Sintomas E Como Lidar – EPWFC

O ciclo menstrual explicado sem rodeios

A menstruação é o descamamento do endométrio, o revestimento interno do útero, quando não há implantação de um óvulo fecundado. O corpo feminino passa por um ciclo de cerca de 28 dias, dividido em fases hormonais que preparam ou descartam esse tecido. A maioria das pessoas com útero tem ciclos entre 21 e 35 dias, e o sangramento em si dura, via de regra, de 3 a 7 dias. Isso é fisiologia básica, mas os detalhes práticos são o que realmente importam quando você está lidando com isso no dia a dia. O ciclo começa no primeiro dia de sangramento, marcado como o dia 1. Na fase folicular, o hipotálamo libera GnRH, que estimula a hipófise a secretar hormônio folículo-estimulante (FSH). Esse FSH faz com que vários folículos ováricos amadureçam, e cada folículo em crescimento produz estrógeno. O estrógeno alto causa um efeito retroalimentativo positivo na hipófise, gerando um pico de LH. Esse pico de LH é o que desencadeia a ovulação, geralmente no dia 14 de um ciclo de 28 dias.

Após a ovulação, entra em cena a fase lútea. O folículo rompido se transforma em corpo lúteo, que secreta progesterona e um pouco de estrógeno. A progesterona estabiliza o endométrio, tornando-o vascularizado e pronto para receber um embrião. Se nenhum embrião se implanta, o corpo lúteo degenera, os níveis de progesterona despencam, e sem esse suporte hormonal o endométrio se desmonta. Esse colapso é o que você enxerga como sangue menstrual.

como ocorre a menstruação na prática

O sangue menstrual não é apenas sangue. Ele contém tecido endometrial, muco cervical, bactérias da vagina e líquido transudado dos capilares rompidos. É normal que o fluxo varie de cor ao longo dos dias: vermelho vivo no início, mais escuro ou marrom no final, quando o sangue ficou mais tempo em contato com o ar dentro do canal vaginal. Partículas escuras que parecem "coágulos" são apenas o tecido endometrial se dissipando; desde que menores que uma moeda de 1 real, são considerados dentro da normalidade. Aqui vai algo que quase ninguém explica direito: a dor menstrual (dismenorreia) não vem do útero em si, mas das prostaglandinas liberadas pelo endométrio em decomposição. Essas substâncias químicas causam contrações uterinas fortes que comprimem os vasos sanguíneos locais, gerando isquemia temporária. É essa isquemia que você sente como cólica. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) como ibuprofeno funcionam exatamente porque inibem a síntese de prostaglandinas, e não porque "anestesiam" a dor. OTiming é importante: começar o AINE 24 horas antes do sangramento previsto, se você tem ciclo regular, pode reduzir drasticamente a intensidade das cólicas porque bloqueia a produção de prostaglandinas antes que elas atinjam picos elevados.

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Tive um caso na clínica onde uma paciente relatava sangramentos intermenstruais pontuais, logo após usar tabletes de levonorgestrel (anticoncepcional de emergência). O padrão era claro: pico de estrógeno seguido de queda abrupta de progesterona, causando desprendimento parcial do endométrio fora do ciclo normal. A solução foi ajustar o método contraceptivo de rotina dela para umDIU de levonorgestrel, que mantém níveis hormonais estáveis e elimina esse efeito de "montanha-russa" hormonal. Não é solução mágica para todo mundo, mas em ciclos anovulatórios recorrentes o resultado é consistente. Um equívoco comum é achar que sangramentos muito abundantes ou irregulares são normais apenas porque "todas as mulheres passam por isso". Fluxo excessivo (hipermenorreia) definido como necessidade de trocar absorvente ou copo menstrual a cada uma ou duas horas durante várias horas consecutivas, ou presença de coágulos maiores que 2,5 centímetros, merece avaliação médica. As causas vão desde pólipos endometriais e miomas submucosos até distúrbios de coagulação como a doença de Von Willebeck, que afeta até 20% das mulheres com sangramento menstrual intenso e é frequentemente subdiagnosticada.

A copo menstrual é uma alternativa subestimada. Diferentemente de absorventes e tampões, ele coleta o fluxo sem absorver o sangue, o que preserva a flora vaginal natural e evita a síndrome do choque tóxico associada ao uso prolongado de tampões. O manejo é simples: inserção, preenchimento até a linha de indicação máxima, e reposição a cada 8 a 12 horas dependendo do volume. A curva de aprendizado é de uns dois ciclos para dominar a remoção confortável, mas depois disso o custo por ciclo cai para uma fração mínima comparado a absorventes, e a experiência de sono tranquilo sem vazamentos noturnos é significativamente melhor. A irregularidade cíclica merece atenção também. Ciclos consistentemente abaixo de 21 dias ou acima de 35 dias, ausências de menstruação por três meses ou mais em alguém que já menstruou anteriormente, e sangramentos que duram mais de 8 dias contínuos são sinais de que algo pode estar desregulando o eixo hipotálamo-hipófise-ovário. Síndrome dos ovários policísticos, disfunções tireoidianas, hiperprolactinemia e estresse crônico são causas frequentes. O rastreio básico inclui dosagem de TSH, prolactina, hormônio folículo-estimulante, hormônio luteinizante e testosterona total e livre.

Outro ponto negligenciado é a variação normal da quantidade de sangue perdida. Estudos mostram que uma menstruação típica perde entre 30 e 80 mililitros. Acima de 80 mL considera-se sangramento abundante. Um absorvente super plus completamente saturado em cerca de três a quatro horas equivale aproximadamente a 5 a 7 mL, então a contagem mental de trocas pode ajudar a ter uma noção grosseira do volume, embora seja imprecisa. O hemograma com hemoglobina deve ser solicitado quando há suspeita de anemia ferropriva secundária ao sangramento excessivo. Não existe um método único que funcione para todo mundo. Anticoncepcionais combinados orais regulam o ciclo e reduzem o volume menstrual, mas aumentam levemente o risco tromboembólico. O DIU de cobre é eficaz e não envolve hormônios, mas tende a aumentar o sangramento e as cólicas. O DIU hormonal de levonorgestrel geralmente reduz tanto o sangramento quanto as dores, podendo levar à amenorreia em cerca de 20% das usuárias após um ano de uso. Cada opção tem prós e contras reais, e a escolha deve considerar histórico pessoal, contra-indicações específicas e preferências individuais.