Como Morreu Martinho Lutero E Calvino - Como Morreu Martinho Lutero E Calvino - GITEDU
Como Morreu Martinho Lutero E Calvino - GITEDU

A morte de dois reformadores que mudaram a história da Europa

Martinho Lutero e João Calvino morreram em circunstâncias bem diferentes, mas ambas refletem o desgaste físico que uma vida de intensa atividade intelectual e viagens constantes poteva causar no século XVI.

Como morreu martinho lutero e calvino

Lutero faleceu em 18 de fevereiro de 1546, em Eisleben, onde nasceu. Estava de viagem para intermediar uma disputa territorial entre os condes de Mansfeld. Tinha 62 anos. Sofria de cálculos renais crônicos, gota e problemas cardiovasculares há anos. No dia da morte, sentiu uma dor forte no peito, depois perdeu a fala. Suas últimas palavras, segundo o relato de seu secretário Georg Rörer, foram "Vamos para casa" (em alemão: "Into your hands I commit my spirit"), uma citação do Salmo 31:5. Morreu de ataque cardíaco, provavelmente agravado pela litíase renal não tratada adequadamente. João Calvino morreu em 27 de maio de 1564, em Genebra, aos 54 anos. Sua saúde sempre foi precária. Sofria de febres recorrentes, dores de cabeça intensas, problemas respiratórios e o que os médicos da época descreviam como "hipocondria". A causa provável da morte foi uma combinação de pneumonia e doença renal crônica, possivelmente com tuberculose como fator subjacente. Ele passou os últimos dias deitado, incapaz de trabalhar, mas continuou ditando cartas e instruções até o fim. Foi enterrado em um cemitério em Genebra; o local exato do túmulo é desconhecido, pois foi perturbado durante as perseguições aos huguenotes no século XVII.

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Contexto e nuances que os manuais costumam pular

O que poucos destacam é que ambos morreram em cidades onde exerciam influência política direta, o que tornou seus óbitos eventos públicos de grande impacto. A morte de Lutero em Eisleben — não em Wittenberg, onde vivia habitualmente — causou confusão inicial sobre onde seria enterrado. Seu corpo foi levado de volta a Wittenberg, onde repousa na Castelo de Wittenberg, ao lado de Felipe Melanchthon. Calvino, por outro lado, nunca foi canonizado nem teve qualquer cerimônia fúnebre de estado. A Reforma em Genebra era uma teocracia parlamentarizada, e seus liderança não previa honras póstumas. Isso gerou uma perda precoce de registros sepulturais que hoje dificulta a certificação arqueológica de seu túmulo.

Um ponto que sempre me chamou atenção ao pesquisar sobre esses dois: a literatura popular tende a romantizar seus últimos momentos como se fossem transcendentes e serenos. Na prática, ambos passaram por sofrimento físico prolongado. Lutero enfrentou anos de cólicas renais terríveis antes de morrer. Calvino teve crises de febre que o deixavam incapacitado por semanas. Nada de cenas dramáticas com palavras finais memoráveis — apenas homens do século XVI morrendo de causas naturais, sem recursos médicos modernos.

Fontes e verificações

Os relatos primários vêm de cartas contemporâneas, cronistas como Matthias Flacius e Philippi Melantthon para Lutero, e de correspondência de Calvino preservada na Biblioteca de Genebra. A datação é sólida; a interpretação dos sintomas médicos retroativos é mais especulativa, mas o consenso acadêmico aponta para doenças cardiovasculares e renais em ambos os casos.