O que é e quando usar
A citação indireta, ou paráfrase, é quando você resume ou reescreve a ideia de um autor com suas próprias palavras. Não é uma cópia. Você não coloca aspas porque não está transcrevendo o texto original. O objetivo é demonstrar que você leu, absorveu e consegue sintetizar o conteúdo sem depender da voz do autor. No padrão ABNT NBR 10520:2023, a regra básica é: sobrenome do autor em maiúsculas seguido da data entre parênteses, tudo antes do ponto final da frase. Se você citou apenas uma parte específica da obra, pode adicionar a página. Isso não é obrigatório quando se trata de ideias gerais distribuídas ao longo do livro ou artigo, mas é fortemente recomendado quando a referência a um trecho particular é relevante para seu argumento.
A diferença prática entre citação direta e indireta costuma ser o primeiro ponto de confusão para estudantes. Direta exige cópia exata, travessão ou aspas, e número de página. Indireta exige reescrita completa e, idealmente, também a paginação quando fizer sentido.
como fazer citação indireta abnt passo a passo
Pegue a ideia original. Leia o trecho várias vezes até conseguir explicá-lo sem olhar. Escreva sua versão usando sua própria estrutura sintática e vocabulário. Insira a referência autor-data no final. Verifique se a página é necessária ou não. Confira se a obra consta na lista de referências no final do trabalho. Veja um exemplo simples. Se você está usando um argumento de CHAUÍ, 2018, sobre filosofia política, a construção ficaria assim: a autora sustained que a formação filosófica brasileira historicamente depende de traduções europeias sem crítica suficiente (CHAUÍ, 2018, p. 45). Note que o sobrenome fica em caixa alta, a data logo em seguida, e a página apenas porque me referi a um ponto específico dela.
Agora outro exemplo com dois autores. Quando a fonte tem dois autores, ambos aparecem na citação: SILVA e OLIVEIRA (2020) argumentam que... (SILVA; OLIVEIRA, 2020). Para três autores ou mais, usa-se et al desde a primeira menção: MARTINS et al. (2019) demonstram que... (MARTINS et al., 2019). A virgula vai depois de et al, e o "et al." leva ponto final porque é abreviação de "et alii". Se o autor faz parte da frase, o ano e a página vêm entre parênteses logo depois: segundo FERREIRA (2021, p. 112), ... Se o autor NÃO faz parte da frase, toda a referência vai entre parênteses no final: alguns pesquisadores questionam essa abordagem (FERREIRA, 2021, p. 112).
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Um problema real que todo mundo encontra
Eu já perdi cerca de três horas numa monografia porque citei indiretamente um trecho de um livro que eu estava usando há semanas, e na hora de conferir a página medei conta de que a edição que eu tinha era de 2015, mas a referência que eu constroi era baseada numa citação secundária de outro artigo. Ou seja, eu não tinha lido a obra original, apenas uma menção a ela. Isso tecnicamente deveria ter sido uma citação por citação (aquela em que você cita um autor que foi citado por outro), mas eu tinha tratado como indireta simples. A solução que funcionou foi rastrear a obra até a bibliografia da universidade e confirmar a paginação na edição real. Se você não tiver acesso, a alternativa correta é usar a forma de citação secundária: ORIGINAL (citado por SECUNDÁRIO, ANO, p. XX). Fica claro para o leitor que você não leu a fonte primária.
Pegadinhas que passam despercebidas
A maioria dos alunos erra na hora de decidir se coloca ou não a página. A regra não é tão rígita quanto parece. Se você está resumindo a tese central de um capítulo inteiro, sem a página está tudo certo. Se você está apontando um dado específico, um número, um conceito delimitado, coloque a página. A banca vai notar a ausência quando ela deveria estar presente muito mais do que vai reclamar da presença quando não é estritamente necessária. Outro erro frequente é repetir a mesma fonte várias vezes seguidas sem variar a estrutura. Se você escreveu três parágrafos citando SOUZA (2019, p. 30), SOUZA (2019, p. 45) e SOUZA (2019, p. 67), o texto fica pesado e repetitivo. A solução é consolidar em uma única chamada quando possível: SOUZA (2019, p. 30, 45, 67) ou, melhor ainda, usar paráfrases encadeadas que mostrem evolução do raciocínio sem depender exclusivamente da formatação da referência.
Também é comum confundir a posição do sobrenome. Em citação indireta, o sobrenome pode ir na frase ou nos parênteses, mas nunca os dois juntos de formas diferentes. Se escreveu "Segundo Santos (2020)...", não repita "(SANTOS, 2020)" no final da mesma frase. Isso é redundância que bancas marcam como erro de formatação.
Limitações do método
Citação indireta não funciona bem quando o autor original usa terminologia técnica que não tem sinônimo equivalente em português. Forçar uma paráfrase nesses casos distorce o sentido. A saída é manter o termo original entre aspas na primeira menção e depois usar sua versão, ou simplesmente recorrer à citação direta curta, que é permitida pela norma sem limite rígido de caracteres desde que tenha paginação. Outro ponto fraco: citação indireta exige leitura genuína da fonte. Se você está usando resumos de resumos, corre o risco de reprovar a precisão conceitual. O custo tempo é maior do que copiar e colar, mas a qualidade do trabalho melhora significativamente porque a paráfrase exige compreensão real do conteúdo.
Para organizar tudo isso sem perder tempo, muitos estudantes usam gestores de referência como Zotero ou Mendeley. Eles geram as citações automaticamente no formato ABNT, mas o sistema nem sempre acerta a paginação em citações indiretas porque não sabe se a página é necessária ou não. Você precisa revisar manualmente cada entrada. Leva cerca de 10 minutos a mais por capítulo, mas evita retrabalho na correção final.