Como Fazer Citaçao De Citaçao - Como fazer citação com mais de duas páginas consecutivas ABNT.
Como fazer citação com mais de duas páginas consecutivas ABNT.

O que é uma citação de citação

Uma citação de citação, também chamada de citação indireta ou transcrita, acontece quando você precisa referenciar uma obra que não leu diretamente, mas que foi citada por outro autor. É uma prática comum em revisões de literatura e trabalhos acadêmicos, mas gera confusão porque a maioria dos guias de normas não explica bem os detalhes práticos. A estrutura básica depende da norma que você está seguindo. No caso da ABNT NBR 10520:2023, que é a mais usada no Brasil, a regra é relativamente clara, mas existem nuances que só aparecem na hora de colocar no papel.

Como fazer citação de citação na prática

O formato padrão para citação de citação segundo a ABNT segue esta lógica: você cita o autor original dentro do texto, mas a referência bibliográfica completa fica com o autor que você realmente leu. Na prática, isso funciona assim. Se você está lendo um livro de Silva publicado em 2020, e nesse livro ele cita um artigo de Santos de 2015, você deve escrever no corpo do texto algo como Santos (2015) afirma que..., mas na sua lista de referências só entra SILVA, 2020. O detalhe importante é que dentro do parágrafo você indica que se trata de uma citação de citação usando a expressão apud. O formato seria: SOBRENOME DO AUTOR ORIGINAL, Ano. apud SOBRENOME DO AUTOR QUE VOCÊ LEU, Ano, p. XX.

Veja um exemplo concreto: Segundo Piaget (1978) apud Silva (2020, p. 45), o desenvolvimento cognitivo ocorre em estágios... O problema que eu encontrei na prática e que poucos manuais mencionam é quando o autor original citado é ele próprio uma citação de citação. Ou seja, você lê um livro que cita um autor que, por sua vez, estava citando outro autor. Nesse cenário, a coisa fica complica. A solução que eu adotei e que funcionou foi ir até a fonte primária sempre que possível. Quando não dava, eu mantinha a cadeia com apud duplo, mas isso é feio e pouco ortodoxo. O recomendado mesmo é: se o autor original está acessível, leia a obra original e cite diretamente. Se não está, use um único apud e deixe claro no texto que se trata dessa situação.

Outro ponto que as pessoas costumam errar é a ordem dos elementos. A norma pede sobrenome do autor original em maiúsculas apenas na primeira letra, seguido do ano, depois apud, depois o sobrenome do autor que você efetivamente consultou, também com o ano, e por fim a página. Muitos estudantes inverteem a ordem ou colocam os dois autores nas referências finais, o que está errado.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Versões mais antigas e mudanças

A norma ABNT foi atualizada em 2023, substituindo a versão de 2002. A principal mudança prática para citação de citação é que na versão antiga a indicação de página vinha depois do autor consultado, enquanto na nova a formatação ficou mais padronizada. Se você está escrevendo para uma instituição que ainda pede a norma antiga, verifique antes de formatar, porque orientadores às vezes não atualizaram seus guias internos. Uma coisa que vale saber e que raramente ensinam: quando o autor original é clássico e a obra é de domínio público, muitos professores preferem que você cite diretamente se tiver acesso a uma edição confiável. O uso excessivo de apud pode ser visto como sinal de que você não fez a pesquisa bibliográfica adequada, mesmo que tecnicamente a citação esteja correta segundo a norma.

Citação de citação em outros estilos

Se você estiver seguindo o estilo APA, a regra é diferente. No APA 7ª edição, você menciona o autor original no corpo do texto, mas na lista de referências só entra a obra que você realmente leu. A diferença em relação à ABNT é que no APA você não usa apud explicitamente. Em vez disso, escreve algo como: (Santos, 2015, como citado em Silva, 2020, p. 45). No Chicago Manual of Style, há duas opções. A nota de rodapé pode indicar a cadeia completa, e a bibliografia só entra a obra consultada. A vantagem do sistema de notas é que você consegue deixar claro desde o início que aquela informação veio por intermediação, sem depender de uma sigla específica.

Pegadinhas comuns que todo mundo comete

A primeira pegadinha é colocar o autor original na lista de referências. Isso nunca deve ser feito, exceto se você realmente leu a obra original. A lista de referências deve refletir exclusivamente o que você abriu dos olhos e leu. Colocar a obra original lá além de incorreto é antiético. A segunda é não especificar a página. Como você não leu o original, a página referenciada é a do autor intermediário onde aquela citação aparece. Esquecer o número da página é um erro frequente em revisões.

Uma terceira questão que eu observei é com citações de citações de fontes não convencionais. Trabalhos que citam entrevistas, depoimentos orais ou materiais de internet geram muita dúvida porque nem sempre o autor original está identificado. Nesses casos, o mais seguro é buscar a fonte primária mesmo que parcialmente disponível online, ou então reescrever o conteúdo com suas próprias palavras e citar o autor que você leu, sem recorrer ao apud. O tempo que isso consome na prática é significativo. Eu costumo estimar que uma revisão bibliográfica com múltiplas citações de citação leva de 30 a 40% mais tempo do que uma revisão com citações diretas, só pela necessidade de verificar cada cadeia e garantir que a formatação está correta. Se o trabalho tiver mais de dez citações transcritas, vale a pena revisar manual ou passar por um software de gestão bibliográfica como Zotero ou Mendeley, que ajudam a manter a coerência entre o corpo do texto e a lista final.