Costumes brasileiros que você só encontra no Brasil
A maioria das pessoas quando pensa em se fantasiar pensa em super-herói, personagens de Hollywood, ou coisas genéricas de Halloween importado. A gente aqui resolve pegar o que é nosso mesmo. Vou listar algumas opções que são especificamente brasileiras, com aquela pegada regional ou cultural que simplesmente não existe fora daqui.
Coisas que só tem no brasil para se fantasiar
Vamos começar pelo óbvio que todo mundo deixa de lado porque acham que é complicado. Fantasia de Saci-Pererê. Uma perna só, chapéu vermelho, cachimbo feito de palito. O problema real é que qualquer loja de fantasia importada vai ter um Saci feito pra criança no final de outubro e começar a pedir devolução em novembro porque o negócio não vendeu. Eu comprei um kit desses uma vez, o chapéu era de feltro fino que desmanchava na chuva, então fiz o meu próprio usando EVA grosso pintado e cola quente. Durou três anos. Cangaceiro também é uma opção clássica. Cinto com revólver de brinquedo, chapéu de couro remendado, rabicho no cabelo. O detalhe que ninguém conta é que a maioria dos cangaceiros de verdade usavam roupas claras no sertão, não só preto e vermelho como mostram nos desenhos animados. Se quer fazer certo, procure referência em fotografias do período, não em ilustrações. Isso muda completamente a proposta visual e evita aquele visual clichê de carnaval barato.
Boi-bumbá ou Bumba meu boi. Essa é mais complexa porque envolve uma estrutura corporal. Você precisa construir uma armadura com isopor, papelão e tecido. Eu fiz uma vez pra um evento e gastei cerca de duas semanas. O segredo é usar uma grade de arame leve por dentro para sustentar o peso, senão você esquenta demais e não consegue nem se mexer. Use arame galvanizado do tipo que vendedor de ferro-vellha usa, é mais barato e resistente. Maracatu também merece atenção. A diferença entre maracatu rural e urbano é importante. O rural tem coroas enormes, fantasias com espelhos e lente de óculos, cores vibrantes. O urbano é mais focado no grupo de baianas e cavaleiros. Se você vai montar uma fantasia sola, o urbano é mais viável. A coroa do maracatu rural pesa em média dois quilos, precisa de uma estrutura interna de alumínio ou PVC para não quebrar no pescoço.
Também tem o Jubileu, o Curucu, o Carapinxu. Coisas do folclore indígena e afro-brasileiro que praticamente ninguém se fantasia porque não conhece. Eu já vi gente fantasiada de Curupira em festas universitárias e sempre gera aquela reação boa de quem nunca tinha visto algo assim antes. O Curupira exige cabelo ruivo ou tinta de cabelo vermelha, e os pés virados pra trás são o detalhe que faz a coisa funcionar. Use meia velha cortada e costurada de trás pra frente em cima do calçado normal. Outra opção que vejo pouco mas funciona muito bem é a fantasia de Mamãe Ana do folguedo do Bumba meu boi. É basicamente uma senhora com vestido longo, lenço na cabeça e um boneco de pano atado na barriga. Simples, barata, e carrega um contexto cultural real. O problema é que muitas pessoas não sabem explicar o que está representando quando perguntam. Anote um parágrafo sobre o significado e leve anotado num papel se for pra festa ou evento.
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Pescador de água doce com seu jaleco branco, chapéu de palha e rede de pesca. Isso é puramente amazônico e raramente aparece em feiras de fantasia. Você pode montar com roupas usadas do brechó e uma rede de verdade. A rede é o item mais difícil de encontrar fora da região Norte, mas sites de artesanato amazônico vendem em tamanhos menores que funcionam perfeitamente pra fantasia. O maior problema com todas essas opções é o mesmo: disponibilidade de peças. Lojas de fantasia convencionais simplesmente não carregam nada disso. Você vai precisar recorrer a artesaos locais, grupos deação folclórica, ou fazer você mesmo. O tempo que você gasta fazendo vale a pena porque ninguém mais vai estar vestido igual a você. Além disso, evitar a importação de chinélies genéricos é melhor pro meio ambiente e pro seu bolso a longo prazo.
Se quiser comprar algo pronto, procure no Mercado Livre filtrando por vendedores de Manaus, Belém e Recife. Os preços costumam ser melhores porque têm acesso direto aos artesãos locais. Evite os kits prontos que vêm com tudo incluido porque a qualidade quase sempre é péssima. Um chapéu de couro verdadeiro custa entre 80 e 150 reais separado, mas dura anos. O mesmo chapéu vindo pronto de fábrica custa 30 reais e rasga na segunda vez que você veste. O que eu aprendi na prática é que o melhor caminho é misturar. Comprar uma peça pronta que funcione como base e customizar o resto. Começar pelo item mais difícil de conseguir e trabalhar de lá pra baixo. Se a coroa do maracatu fica pronta primeiro, o resto do figurino fica mais fácil de montar em cima dela.
Também vale lembrar que algumas dessas fantasias têm significado religioso ou cerimonial em seus contextos originais. O Saci, por exemplo, tem raízes que vão além do folclore infantil. Se for usar numa ocasião que não seja festiva, esteja ciente do contexto. Não é proibido, mas é bom saber o que está representando antes de colocar na rua. Aqui vai uma dica que ninguém dá: foto de referência antes de qualquer coisa. Anotações de cores exatas, materiais usados, acessórios complementares. Eu já perdi dias inteiros tentando recriar algo porque não tinha anotado o tom específico de uma cor ou o tipo de tecido. Tirar dez fotos do objeto ou pessoa real resolve isso em dois minutos.
Se o orçamento for apertado, comece com o que você já tem em casa. Roupa branca, lenço, Chapéu emprestado. A base de muitas dessas fantasias é simples. O valor está nos detalhes que você adiciona, não no conjunto em si. Um cordão de sementes, um pedaço de madeira, um troço de tecido estampado errado. Isso transforma algo genérico em algo brasileiro de verdade em cinco minutos.