Classifique As Orações Coordenadas - 6) Classifique as orações coordenadas em assindéticas ( Não possuem ...
6) Classifique as orações coordenadas em assindéticas ( Não possuem ...

Como classificar orações coordenadas na prática

Classificar orações coordenadas é uma daquelas coisas que todo mundo aprende no colégio e depois esquece, até precisar fazer uma análise sintática de verdade. A base é simples: oração coordenada é aquela que não tem função sintática em relação à outra, ou seja, não é sujeito, objeto ou complemento de nada. Ela apenas se encosta na principal com uma conjunção ou vírgula. O problema é que a classificação depende exclusivamente do tipo de conectivo usado, e aí que a coisa fica chata.

Classifique as orações coordenadas

Existem cinco tipos, cada um com sua conjunção caracteristica. Começando pela mais straightforward: coordenada aditiva. Usa conjunções como "e", "nem", "não só... mas também". A oração adiciona uma informação à anterior. Exemplo: "Ele estudou e passou na prova." Não tem nada de complexo aqui, a menos que o "e" esteja usado com valor adversativo, o que acontece mais do que deveria. Depois vem a adversativa. Conjunções: "mas", "porém", "contudo", "todavia", "no entanto". A segunda oração oppõe-se semanticamente à primeira. "Estudou muito, mas não passou." Ponto. O erro comum é confundir com a adversativa quando na verdade temos uma concessiva disfarçada. Diferença sutil: na concessiva, há uma ideia de obstáculo superado. "Embora tenha estudado, não passou." Note que "embora" introduz uma subordinada concessiva, não uma coordenada. Muita gente erra isso em provas porque acham que qualquer contraste é adversativo.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

A explicativa é a terceira. Conjunções: "pois", "porque", "que", "portanto", "logo". Aqui a segunda oração justifica a primeira. "Ele estudou, pois queria passar." Cuidado com o "pois" usado como substantivo — isso é diferente e não se enquadra aqui. O "portanto" é outro caso que confunde: ele é conclusivo, não explicativo, e isso muda a classificação. A conclusiva usa conjunções como "portanto", "logo", "assim", "por isso", "consequentemente". "Estudou bastante, portanto passou." A diferença entre explicativa e conclusiva é tênue e muita gente não consegue separar. Na explicativa, a segunda oração dá a causa. Na conclusiva, ela apresenta uma consequência lógica. "Foi à loja, pois precisava de leite" (explicativa — o ir à loja é justificado pela necessidade de leite). "Precisava de leite, portanto foi à loja" (conclusiva — a ida à loja é consequência da necessidade).

Por fim, a alternativas. Conjunções: "ou", "ou...ou", "já...já", "quer...quer". "Ou você estuda, ou vai reprovar." Simples. O tricky aqui é quando o "ou" aparece sozinho sem parallelismo claro, e você precisa inferir se é mesmo alternância ou outra coisa. Na prática, o que eu vejo todo mundo errando é confundir orações coordenadas sindéticas com subordinadas. O teste rápido é verificar se a primeira oração depende sintaticamente da segunda. Se não depende, é coordenação. Se a primeira precisa da segunda para fazer sentido completo, é subordinação. Mas esse teste falha em construções ambíguas, e foi exatamente isso que me pegou uma vez num texto jurídico onde a vírgula antes de "porque" tornava impossível saber se era coordenada explicativa ou subordinada causal. A solução foi olhar para o contexto macro e perceber que o autor estava listando ações encadeadas, não estabelecendo causa e efeito. Removi a vírgula e reclassifiquei como aditiva com sequência cronológica. Funcionou.

Outro ponto que ninguém ensina: orações coordenadas assindéticas não têm conjunção. São apenas separadas por vírgula ou ponto e vírgula. "Choveu, fazia frio, ninguém saiu." Todas são coordenadas assindéticas. Classificá-las exige análise semântica, não estrutural, e é aqui que a coisa fica subjetiva. Dependendo do contexto, o que parece aditivo pode ser interpretado como conclusivo. Não tem regra fixa. Você treina o olho com leitura e análise de textos variados. Se você está estudando para concurso ou prova de vestibular, o recomendado é memorizar as conjunções de cada tipo e praticar com frases que misturam os conectores. A maioria dos erros vem de confusão entre explicativa e conclusiva, ou de identificar como coordenada algo que é na verdade subordinado. Leva tempo até o instinto funcionar, mas comuns exemplos suficientes, em uns dois meses você para de travar nessas distinções.