Causas Da Revolução Farroupilha - Causas Da Revolução Farroupilha - FDPLEARN
Causas Da Revolução Farroupilha - FDPLEARN

Entendendo o que levou ao conflito de 1835 no Rio Grande do Sul

O contexto econômico da província era estruturalmente desequilibrado. A elite gaúcha vivia da pecuária e do charque, produtos que abasteciam não só o sul mas também outras regiões do Império. O problema aparecia quando esse charque precisava competir com o produto importado através do Porto de Montevidéu, que entrava com alíquota praticamente zero por acordo comercial. Enquanto isso, o imposto de entrada sobre o charque gaúcho nos portos do Rio de Janeiro e de São Paulo podia chegar a 96%. É difícil construir uma indústria regional nessa condizioni.

Principais causas da revolução farroupilha

Além da questão econômica, havia um desgaste político acumulado. Os rancheros locais se sentiam representados pelo Partido Liberal em nível provincial, mas o governo imperial nomeava presidentes vindos do Partido Conservador, frequentemente fora da província. Esse tipo de interferência gerava ressentimento que virou combustível para o conflito armado quando estourou. O estopim imediato aconteceu em março de 1835, quando o presidente provincial nomeado pelo centro confiscou cargas de charque e gado bovino de comerciantes da fronteira, acusando-os de contrabando. Aquilo foi a gota d'água. Benedito Manuel do Lagosta, Bento Gonçalves e outros líderes do Partido Liberal organizaram uma resistência armada nos dias seguintes e, em 20 de setembro, tomaram Porto Alegre.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

O que menos se discute nas resumos escolares é a dimensão geopolítica do conflito. A fronteira com o Uruguai, que na época também estava em guerra civil, oferecia uma rota de contrabando de gado que movimentava milhões de réis por ano. O governo imperial tentou barrar isso. A reação dos produtores locais foi exatamente o oposto do que esperavam. Também conta a influência de ideias republicanas que circulavam entre a elite provincial desde os anos 1820. Não era só proteção tarifária. Havia uma vertente política que realmente acreditava na possibilidade de autonomia ou separação, ainda que muitos participantes tenham chegado no final do conflito a negociar reintegração conditional dentro do Império.

O cerco a Laguna, a defesa de Alegrete, a atuação de Giuseppe Garibaldi - tudo isso mostra como o conflito se expandiu muito além das expectativas iniciais de qualquer um dos lados. Ninguém que iniciou aquilo em 1835 previu que a guerra duraria onze anos. Quando você estuda os documentos originais do período, fica claro que as motivações eram diferentes conforme a classe social. Os grandes criadores tinham a questão do charque como prioridade. Os tropeiros e pequenos comerciantes de fronteira viam na revolução uma chance de manter rotas de comércio que estavam sendo cerceadas. Já a população urbana de Porto Alegre tinha motivações mais variadas, algumas delas apenas oportunistas diante do vácuo de autoridade.

A paz finalmente veio em 1845 com a Paz de Ponche Verde. O governo imperial anistiou os revoltosos, acabou com a taxa diferenciada sobre o charque e nomeou um presidente gaúcho. Os líderes farroupilhos foram integrado ao exército imperial, e Garibaldi chegou a servir nas campanhas posteriores. O movimento perdeu o caráter separatista, mas conseguiu boa parte das reivindicações econômicas que o iniciaram. Se quiser se aprofundar, os relatos de Bento Gonçalves e os documentos do Arquivo Público do Rio Grande do Sul estão disponíveis digitalmente. A bibliografia secundária mais confiável ainda é a de José Murilo de Carvalho sobre o período, embora tenha sido escrita antes de algumas descobertas mais recentes sobre a rede de financiamento da revolta.