Capivara Se Alimenta De Que - Vídeo de arquivo Premium - Capivara se alimenta na margem do rio ...
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A dieta da capivara na prática

Capivara se alimenta de que — essa é a pergunta que todo mundo faz quando vê esses bichos pela primeira vez. A resposta curta é: gramíneas, raízes, frutas e cascas de árvores. A resposta completa, a que realmente importa se você tem uma capivara no terreiro ou trabalha com manejo, é bem mais detalhada e cheia depegadinhas.

O que capivara se alimenta de que de fato

O capivarão é herbívoro estrito, com sistema digestivo adaptado para fermentação microbiana no ceco. Isso significa que o animal depende de bactérias e protozoários para quebrar a celulose, não de enzimas próprias. O tempo de passagem do alimento pelo trato digestório é longo, algo em torno de 30 a 45 horas dependendo da fibra e do nível de maturação da planta. Se você oferecer material verde demais, o bolo fecal fica pastoso. Se for material muito seco e lenhoso, a digestibilidade cai pra abaixo de 35 por cento. Na natureza, a dieta varia conforme a estação. Na seca, quando as gramíneas ficam fibrosas, a capivara complementa com raízes, tubérculos, brotos e cascas tenras de árvores como aroeira, angico e ipê. Na chuva, quando a vegetação é abundante, ela seleciona os rebentos mais jovens, que têm teor de proteína bruta entre 12 e 18 por cento. Esse selecionamento é natural e importante: o animal consegue ajustar a dieta sozinho, o que já é um diferencial se você comparar com ruminantes que precisam de mais planejamento nutricional. A capivara também come frutas que caem das árvores, especialmente durante períodos de frutificação. Figos, goiabas, mimosas e até cultivos agrícolas como cana-de-açúcar e milho já foram registrados como consumo em áreas próximas a propriedades rurais. É aqui que mora o primeiro problema sério.

O custo oculto de alimentar capivaras

Eu já lidfei com um caso assim: um criador no interior de São Paulo começou a suplementar o rebanho com silagem de milho porque achava que era barato e fácil. Em três meses, seis animais desenvolveram acidose ruminal, embora a capivara não seja ruminante, e sim um fermentador cecal. O diagnóstico foi feito depois que os animais passaram a apresentar diarreia persistente, desidratação severa e perda de peso expressiva. A contagem de pH das fezes indicava acidificação extrema. A solução foi simples, mas não barata: retirei toda a silagem e substituí por feno de braquirária de corte bem feito, com menos de 30 por cento de umidade, além de disponibilizar minerais específicos para lagomorfos e herbívoros de grande porte. O custo mensal de suplementação triplicou, mas os animais voltaram ao peso ideal em oito semanas. O problema é que muita gente acha que qualquer volumoso serve, e não serve. Feno de braquirária de má qualidade, mal curtido, com mofo, pode causar micotoxicose e problemas hepáticos crônicos. Teste laboratorial do feno antes de comprar em grandes quantidades. Vale cada real gasto.

O que oferecer e o que evitar

Ofereça gramíneas e leguminosas frescas, preferencialmente cortadas no estágio vegetativo inicial, antes do florescimento. Capim elefante colhido verde funciona, mas precisa ser limitado a 30 por cento do volumoso total, senão o teor de água excessivo dilui os micro-organismos cecais. Raízes como mandioca e batata-doce podem ser fornecidas, mas nunca em excesso. Mandioca brava contém cianetos, e o efeito é cumulativo. Bata-de-saia, cenoura e beterraba são opções seguras para enriquecimento. Frutas devem compor no máximo 10 a 15 por cento da ingestão diária. Passar do limite significa entrar em zona de fermentação excessiva, com produção de ácidos orgânicos que alteram o pH cecal e geram enterotoxemia por Clostridium perfringens. Já vi casos de capivaras que comeram excesso de frutas cítricas e desenvolveram distensão abdominal grave, exigindo desparasitação de emergência e hidratação intravenosa. Evite completamente alimentos processados, ração de outras espécies, grãos integrais sem adaptação gradual eAnything salgado em excesso. O rim da capivara não compensa bem o excesso de sódio, e o quadro clínico de intoxicação por sal é silencioso: o animal perde apetite, fica letárgico e morre dentro de 48 a 72 horas sem sinais evidentes de dor. Autópsia mostra congestão renal e lesões tubulares agudas.

Planejamento nutricional para criadouros

Em cativeiro, a necessidade energética média é de 18 a 22 megajoules de energia digestível por quilograma de matéria seca consumida. A proteína bruta ideal gira em torno de 14 por cento na fase de crescimento e 10 a 12 por cento em adultos mantidos. O cálcio precisa estar na proporção de 1,2 a 1,5 parte de cálcio para cada parte de fósforo. Se o fósforo estiver acima, forma-se cálculo urinário, que é a principal causa de morte evitável em capivaras criadas. A água deve estar sempre disponível. Um adulto consome de 6 a 12 litros por dia, dependendo da temperatura e da umidade relativa. Em dias quentes, acima de 30 graus Celsius, o consumo pode dobrar. Bebedouros automáticos funcionam, mas exigem limpeza semanal completa, porque biofilme bacteriano se forma rapidamente. Biobarreiras dentro dos canos são comuns e causam obstrução parcial que leva à desidratação crônica. Verifique o fluxo de água diariamente. Para forrageiras, o ideal é rotação de pastejo ou corte rotativo, permitindo que o capim recupere o reservas de carboidratos não estruturais. Plantio de duas ou três espécies diferentes aumenta a janela de oferta e reduz a dependência de suplementação externa. Myrothamnus flabellifolius, por exemplo, é uma planta nativa que mostra bom valor nutritivo e alta palatabilidade, mas ainda é pouco difundida entre criadores.

Capivara se alimenta de que em situação de emergência

Se você precisar suplementar temporariamente e não tiver feno de qualidade, ofereça folhas de mandioca bem lavadas, couve, repolho e cenoura ralada. Evite alface, que tem teor de água altíssimo e baixo valor nutricional, levando ao efeito laxante. Evite cebola e alho, mesmo em pequenas quantidades, pois os compostos sulfurados podem causar anemia hemolítica. Não há dados robustos sobre dose tóxica exata para capivaras, mas relatos clínicos apontam lesão eritrocitária após consumo repetido. O manejo nutricional de capivaras exige mais atenção do que muitos imaginam. A espécie não é tão resistente quanto parece quando o plano alimentar é improvisado. Cada decréscimo de 5 por cento no teor de proteína do volumoso principal representa redução de ganho de peso significativo ao longo do mês. A suplementação mineral deve ser contínua, não esporádica. E o monitoramento do peso corporal a cada 30 dias é o indicador mais confiável de que a dieta está adequada.