O que é aumentativo de piscina e como projetar sem errar
O aumentativo de piscina é aquela seção mais larga ou mais rasa que se projeta dentro do vão principal da piscina. No Brasil, normalmente aparece como uma área de descanso rasa (80 cm a 1 m de profundidade) que ocupa metade ou mais da largura da piscina. O resto do fundo continua na profundidade normal, geralmente 1,40 m a 1,60 m. É o mesmo conceito que nos EUA chamam de tanning ledge ou sun shelf, só que aqui a terminologia varia conforme a região e a construtora. O problema real: a maioria dos erros não está na estética. Está na hidráulica. O aumentativo cria uma zona de baixa circulação porque a água tende a seguir o caminho mais curto entre o retorno e o skimmer. Se você posicionar os retornos como faria numa piscina retangular simples, o aumentativo vira um depósito de folhas e sujeira em duas semanas. Isso é quase inevitável se o projeto hidráulico não for pensado separadamente.
aumentativo de piscina
Aqui vai o que funciona na prática. O segredo é tratar o aumentativo como um braço hidráulico independente, não como extensão do fundo. Para o dimensionamento básico, considere que cada metro quadrado de aumentativo precisa de, no mínimo, 2 m³/h de vazão de retorno distribuída entre dois pontos. Não use um único retorno centralizado em frente ao aumentativo. Ele vai criar zona morta logo atrás dele. Use dois retornos laterais, angulados levemente para dentro da área rasa, gerando um movimento circular que empurra a água para o skimmer da faixa rasa, não para o skimmer principal.
Sobre a profundidade: 80 cm a 90 cm é o ideal para a maioria dos projetos residenciais. Acima de 1 m você perde a funcionalidade como área de descanso e começa a ter problema de evaporação desnecessária e consumo de produto químico. Abaixo de 80 cm, o increased dificilmente funciona como área de nado auxiliar e fica apenas como espreguiçadeira submersa, o que é válido mas muda completamente a lógica de uso. Eu já perdi conta das vezes que vi aumentativo mal dimensionado. Uma vez, em Campinas, entrei num projeto onde o engenheiro havia feito o aumentativo com 1,20 m de largura por 4 m de comprimento, profundidade 90 cm, e só dois retornos de 50 mm posicionados nas extremidades. A piscina tinha 7 m de comprimento total, skimmer único no fundo da parte profunda. Em três semanas, o aumentativo estava com algas filamentosas e água verde. A solução foi reinstalar dois retornos de 63 mm em frente ao aumentativo, adicionar um skimmer de piso na área rasa e colocar um duto de sucção dedicado para o skimmer do aumentativo. O custo da correção ficou em torno de R$ 1.800, incluindo mão de obra. O projeto original tinha custo de mão de obra hidráulica em cerca de R$ 900. Ou seja, o erro custou o dobro do que seria fazer certo desde o início.
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O skimmer do aumentativo precisa ser dimensionado para a vazão da área rasa. Se o aumentativo tem 4 m² e a piscina principal tem 16 m², o skimmer do increased deve captar proporcionalmente, cerca de 20% da vazão total do sistema. Skimmer padrão de 50 mm capta entre 4 e 6 m³/h. Para o exemplo acima, um skimmer de 50 mm no aumentativo seria suficiente, mas somente se a bomba estiver regulada para manter pelo menos 8 a 10 m³/h de vazão total. Outro ponto que ninguém menciona: a transição de fundo. O degrau entre a área rasa e a profunda não pode ser vertical. Se você fazer um desnível de 60 cm de uma vez só, cria turbulência excessiva e risco de lesão. O ideal é uma rampa de 1 m a 1,5 m de comprimento com declividade de 10% a 15%. Isso significa que a transição de 90 cm para 1,50 m deve ter entre 4 e 6 metros de extensão horizontal. Se o espaço for curto, prefira reduzir a diferença de profundidade, não encurtar a rampa.
Quem costumeiramente erra nisso é quem projeta pela planta baixa e esquece a seção transversal. A planta mostra as formas bonitas. A seção mostra se a água vai se movimentar ou não. Sempre valide os dois juntos. Em relação ao revestimento, use vinílico ou pintura epóxi de alta performance no aumentativo, não fibra. A fibra aplicada sobre áreas rasas com grande variação térmica diurna apresenta trincas mais cedo porque a expansão e contração do concreto na faixa rasa é mais intensa. Já vi casos de fibra trincando em 18 meses em aumentativos no interior de São Paulo, enquanto a mesma piscina com vinílico na área rasa manteve-se íntegra por mais de cinco anos. O vinílico custa cerca de 30% a mais que a fibra no item revestimento, mas o custo de reparo depois costuma ser o triplo.
O aquecimento também merece atenção. Se a ideia é usar o aumentativo como área quente para crianças, instale o painel solar ou a resistência no circuito da área rasa, não no circuito geral. Isso permite aquecer apenas a faixa rasa sem gastar energia aquecendo os 1,50 m de profundidade do resto da piscina. Em um projeto residencial médio, essa diferenciação reduz o consumo de aquecimento em cerca de 40% quando o aumentativo é usado diariamente e o resto da piscina fica semiaberta. Há ainda a questão da iluminação. Submersíveis no aumentativo precisam de transformador separado ou pelo menos circuito isolado. Luz LED de 12 V em área rasa tem maior risco de contato direto, especialmente com crianças. Use difusores de policarbonato e instale os refletores a pelo menos 30 cm da borda do aumentativo, nunca embutidos na parede vertical do degrau. A exposição mecânica é maior ali do que em qualquer outro ponto da piscina.
O que funciona bem e o que não funciona: o aumentativo é excelente para piscinas familiares com crianças pequenas e para quienes querem uma área de estar sem entrar na parte profunda. Não funciona bem em piscinas de uso competitivo ou treinos, pois a quebra de padrão do fundo atrapalha a=natação em linha reta e o braço de baixa circulação exige limpeza manual frequente. Nesses casos, prefira uma piscina reta com plataforma de mergulho ou degraus laterais, que são mais simples hidraulicamente e mais fáceis de manter. Se você vai projetar, comece pelo esquema hidráulico antes de fechar a planta. Desenhe os retornos, os skimmers, a bomba e o filtro primeiro. Depois ajuste as formas. É inverso ao que a maioria dos arquitetos faz, mas economiza retrabalho. Um projeto bem fechado nessa sequência leva em média 6 horas de engenharia para uma piscina residencial padrão. Um projeto fechado na ordem inversa frequentemente exige pelo menos uma volta de revisão hidráulica, o que consome outras 3 a 4 horas e pode alterar as cotas que já estavam aprovadas pelo cliente.