Quando você começa a preparar atividades de simple present com alunos brasileiros, a primeira coisa que percebe é que eles travam no -s do third person. Não é problema de pronúncia, é problema de conceito. Eles entendem a estrutura, repetem o exemplo, mas quando começam a escrever sozinhos, esquecem do s ou colocam em todo lugar.
Eu trabalho com isso há anos e já vi o mesmo padrão. A solução que funciona não é explicar mais gramática. É dar exercícios queforcem a repetição do padrão sem traduzir da cabeça.
Como montar atividades de simple present eficazes
O erro número um que eu vejo professores cometerem é criar listas de preenchimento de lacunas com frases isoladas. Aluno completa, marca certo ou errado, e nada fixa. O cérebro não faz associação.
Uma abordagem que eu uso com frequência é a seguinte: pegue três dias da rotina do aluno. Pergunte o que ele faz segunda, terça e quarta. Anote no quadro. Depois peça para ele transformar tudo para third person, usando um colega imaginário. Ele vai escrever "He wakes up at 6, he takes the bus". O erro de esquecer o s aparece imediatamente, e você corrige na hora.
Isso leva cerca de 15 minutos e costuma funcionar melhor do que duas páginas de workbook.
Os problemas que aparecem de verdade
Além do third person, tem outras duas coisas que dão trabalho. A primeira é a diferença entre I/you/we/they e he/she/it. Eles confundem porque em português não tem essa distinção verbal. O verbo é o mesmo para todas as pessoas. Então quando escrevem "he go", o erro parece natural para eles.
A segunda dificuldade é com o verbo to be. Mesmo alunos que já sabem usam wrong em textos. Eles escrevem "I am happy and I go to school every day", mas quando muda para third person, esquecem de ajustar o verbo.
Eu já tentei usar canções e jogos, mas na prática o que funciona mesmo é exposição repetida com correção imediata. Se o aluno erra na hora, você aponta, mostra o padrão certo, e pede para ele reescrever. Em 20 minutos de aula focada, o resultado é melhor do que uma semana de atividade solta.
Um exemplo concreto que eu uso
Pegue a rotina de alguém famoso que eles gostam. Um cantor, um jogador de futebol. Peça para descreverem o dia dessa pessoa. "Lionel Messi wakes up at 8, he eats breakfast, he trains for three hours". Eles escrevem, cometem erros, corrigem. O professor circula os problemas e explica o padrão.
Depois disso, peça para trocarem para first person. "I wake up at 8, I eat breakfast". A flexão é diferente, e eles percebem a diferença na prática.
O que não funciona
Lista de exercícios repetitivos sem contexto não fixa nada. Tradução direta da língua portuguesa para o inglês também não ajuda, porque o padrão mental deles continua em português. O ideal é manter tudo em inglês desde o início, usando contextos reais da vida deles.