Decompondo números em dezena e unidade para o primeiro ano
Ensinar decomposição de números é uma das partes mais chatas do currículo de matemática do primeiro ano, mas também uma das mais importantes se você quiser que a criançada não travar na frente da dezena quando chegar no segundo ano. Eu já vi muita atividade de dezena e unidade 1 ano sendo feita de forma mecânica, com aluno decorando que o 3 no número 35 significa trinta, mas não conseguindo explicar por quê se você pedir para mostrar com material dourado. Aqui vai o caminho que funciona no dia a dia da sala de aula, sem firula.
Como realmente funciona a atividade dezena e unidade 1 ano
O conceito central é simples: qualquer número de dois algarismos pode ser separado em grupos de dez unidades e sobras. O número 47 viraria quatro blocos de dez e sete cubinhos soltos. A gente escreve assim: 47 = 40 + 7 ou, em termos de agrupamento, 4 dezenas e 7 unidades. O aluno precisa construir essa equivalência na mão, não só copiar. Eu costumo começar com material concreto. Bastões de 10 cubos unidos (douradinho mesmo, ou faça com canudos presos por um elástico) e cubinhos soltos. Entrego um número como 26 e peço para montar. A maioria faz o certo porque já tem intuição, mas aí eu peço para trocar: "agora me mostra o 26 de novo, mas separado em dezenas e unidades no papel". É nessa transição do concreto para o abstrato que a coisa trava. Muitos alunos acertam com os blocos e erram na planilha imediatamente.
O problema mais recorrente que eu encontro na prática é com números redondos como 30, 50, 80. O aluno vê o zero e acha que não tem unidade, então escreve zero dezenas e zero unidades ou simplesmente não preenche o campo. Já tive um aluno que escreveu "3 dezenas e 0 unidades" e depois, quando eu perguntei quanto era, respondeu "vinte e nove". Ele sabia a regra de preenchimento mas não consolidou o valor posicional. A correção foi pedir para ele contar os cubos um a um depois de montar o 30 em barras de dez. Ver que eram trinta pontos, não vinte e nove, resolveu.
A mecânica da atividade no papel
A atividade clássica pede para o aluno fazer três coisas: identificar quantas dezenas e quantas unidades tem um número, decompor o número na forma aditiva e, em alguns casos, representar graficamente com desenhos de agrupamentos. Eu recomendo seguir essa ordem invertida na prática — primeiro representar, depois decompor, e só então identificar os algarismos. Quando o aluno já passou pela experiência de agrupar, a decomposição deixa de ser decorar e vira registro do que ele já fez. Um exercício que eu uso com frequência é apresentar um desenho com grupos de círculos agrupados e pedir para o aluno escrever o número completo, depois decompor. Por exemplo: cinco grupos de dez círculos e oito círculos soltos. Resposta esperada: 58 = 50 + 8. A variação é inverter: eu dou 73 e peço para ele desenhar. Isso revela quem realmente entende e quem só copiou a regra do quadro.
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Outro ponto que as apostilas costumam pular: números entre 11 e 19 não seguem a lógica verbal do português. Onze, doze, treze, quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezanove — ou dezenove, dependendo da região. O aluno vê o "dez" na palavra e pensa que é dezena, mas a palavra já embute o conceito. Isso gera confusão quando pede para decompor. Eu sempre faço uma observação específica sobre isso antes de passar exercícios, porque é o tipo de armadilha que aparece em prova e o aluno perde ponto por causa da língua, não da matemática.
Erros comuns e como corrigir na hora
O erro mais frequente que eu vejo é inverter a posição dos algarismos na decomposição. O aluno vê 62 e escreve 6 + 2 ou 60 + 20. Isso acontece quando ele trata cada algarismo isoladamente, sem associar à posição. A correção mais rápida é voltar para o material dourado e pedir para ele mostrar quantos grupos de dez existem de verdade. Se ele mostrar seis grupos de dez e dois cubinhos, o 20 extra no cálculo fica absurdo na frente dos olhos dele. Existe um erro mais sutil que ocorre com números como 10, 20, 30. Alguns alunos escrevem 10 = 1 + 0 na decomposição, confundindo valor posicional com composição de algarismos. Nesse caso, eu uso a estratégia de pergunta direta: "se eu tenho dez cubinhos e uno eles todos, quantos grupos de dez eu formei?". A resposta visual elimina a ambiguidade. Leva uns cinco minutos e resolve para aquele aluno em específico.
Uma limitação honesta da abordagem baseada em material dourado é que ela funciona muito bem para números até 99, mas quando a gente chega em números como 100, a lógica de agrupamento muda de patamar e muitos alunos confundem a nova grandeza. Se o seu objetivo é só o primeiro ano, foque nos números de 10 a 99 e garanta domínio sólido. Arriscar ir até 100 antes de consolidar gera mais confusão do que aprendizado. Nesse cenário, eu recomendo adiar a noção de centena para o segundo bimestre, quando a base estiver firme.
Material para baixar e usar em sala
Se você quer atividades prontas, os portais como o Escola Brasil, o Toda Matéria e o Significados trazem listas organizadas por nível de dificuldade. Eu particularmente gosto das que pedem para o aluno colorir grupos de dez em uma matriz de pontos, porque mantém o engajamento sem perder o foco conceitual. Para material dourado caseiro, bastam palitos de sorvete e elásticos — cada grupo de dez palitos virava uma "dezena" com um elástico, e os soltos eram as unidades. Custo quase zero, eficácia alta. O importante é não transformar a atividade em rotina vazia de preencher caixinhas. Se o aluno está preenchendo sem refletir, você parou de ensinar e virou apenas fiscal de execução. A cada dez exercícios no papel, intercale com dez minutos de manuseio concreto. O tempo que parece perdido na primeira vista economiza horas de repetição corrigindo o mesmo erro depois.