Atividade Com Parlenda 3 Ano - Atividades Com Parlendas 3 Ano - RETOEDU
Atividades Com Parlendas 3 Ano - RETOEDU

Como usar parlendas no 3º ano na prática

Parlendas são textos curtos de tradição oral, com rima e ritmo marcante, que as crianças do 3º ano já costumam conhecer de pequenas — mesmo que não reconheçam o nome. A atividade em si é simples de montar, mas tem detalhes que muitas professoras pegam no pé quando tentam aplicar pela primeira vez. Vou explicar como funciona, o que costuma dar errado e o que fazer.

atividade com parlenda 3 ano

O núcleo da atividade gira em torno de três coisas: leitura coletiva, reconhecimento de padrões rítmicos e produção textual coletiva. Você escolhe uma parlenda, lê em voz alta várias vezes até que a turma consiga decorar trechos, depois trabalha a identificação de rimas e, por fim, convida os alunos a criar variantes ou continuar a parlenda. A parlenda mais usada costuma ser "Sabe-se o que é, sabidinho?", "Um elefante incomodava muita gente" ou "Tinha um menino que gostava de lavar". Essas têm estrutura previsível e repetição, o que facilita a memorização. O problema é que a maioria das professoras escolhe as mesmas três e acaba cansando a turma. Experimente "A barata diz que tem", "Eram sete homens num saco" ou "Lá em casa tem um galo que não canta de manhã". São menos óbvias, mantêm o mesmo nível de dificuldade fonológica, mas trazem novidade para a sala.

O que a BNCC pede e como entregar

No 3º ano, a habilidade principal é EF03LP07, que trata da identificação de características das parlendas e canções, inclusive de rimas. Também se encaixa EF03LP09, sobre reconhecimento de gêneros textuais, e EF03LP13, que envolve leitura compartilhada. Nada complicadíssimo. O que os coordenadores querem ver no portfólio é evidência de que o aluno participou da leitura, identificou rimas e produziu algo próprio ou coletivo a partir da estrutura da parlenda. A atividade básica que eu recomendo leva cerca de quatro aulas. Na primeira, leitura dramatizada e decodificação do texto. Na segunda, trabalho de consciência fonológica com recorte de rimas e separação em estrofes. Na terceira, produção em grupo: cada grupo recebe uma parlenda e deve criar uma nova estrofe ou variantar o final. Na quarta, apresentação e registro escrito do processo.

Passo a passo que realmente funciona

Comece escrevendo a parlenda inteira no quadro. Leia uma vez. Leia de novo, desta vez batendo palmo no ritmo. Peça para os alunos marcarem onde estão as rimas. Não adianta pedir que eles identifiquem rimas antes de ouvir o texto várias vezes; o cérebro precisa do padrão auditivo para reconocer o padrão gráfico. Eu já vi professora cobrar identificação de rimas na primeira leitura e a turma inteira ficar travada. Deixe os alunos escutarem pelo menos três vezes antes de qualquer análise escrita. Depois da leitura coletiva, faça o exercício de completar lacunas. Apague palavras-chave da parlenda e peça para os alunos preencherem usando o contexto rítmico. Isso é mais eficaz do que simplesmente copiar o texto. Quando eu faço isso, os alunos percebem que a rima e o ritmo funcionam como pistas de previsão, o que também fortalece a habilidade de inferência lectora.

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Na produção, evite pedir que cada criança escreva uma parlenda do zero. A carga cognitiva é alta demais para o 3º ano e o resultado costuma ser texto sem estrutura ou fora do gênero. Em vez disso, use o modelo coletivo: a turma decide juntos o tema, a professora faz o rascunho no quadro e os alunos Copiam e reorganizam as ideias. A variante que deu certo na minha última turma foi pedir que substituissem o sujeito da parlenda por outros animais ou objetos. "Sabe-se o que é, sabidinho? É o sapo que gosta de pão..." Os alunos riscaram "sapo" e criaram novas versões. Aprendizado real, sem esforço desnecessário.

O erro que ninguém conta

Um problema específico que acontece quase sempre: os alunos confundem parlenda com trava-línguas ou adivinha. A diferença é sutil mas importante. Parlenda tem ritmo e rima, mas não exige articulação rápida nem contém enigma para resolver. Eu percebi isso quando uma aluna perguntou se a parlenda que estávamos lendo era um trava-línguas porque "tinham muitas sílabas juntas". A turma toda ficou na dúvida. A correção foi simples: pedi para eles cantarem a frase devagar. Se dá para cantar e manter o sentido, é parlenda. Se embaralha a língua, é trava-línguas. Outro erro comum é achar que parlenda é apenas entretenimento e não trabalhar os aspectos linguísticos por trás dela. Se você só lê e pronto, a atividade vira passatempo. Se trabalha ritmo, rima, repetição, variação lexical e estrutura do gênero, ela vira ferramenta de letramento efetiva.

Material pronto para baixar

Eu monto meu próprio material porque os cadernos didáticos padronizados sempre me parecem genéricos demais para o que preciso. Mas se você quer algo prático, existem sites como o Portal do Professor do MEC, o Clube Letras e o Educador Brasil que oferecem sequências didáticas completas. Procure por "parlendas 3º ano" e filtre por arquivos PDF. Sempre verifique se o material menciona as habilidades BNCC correspondentes, senão você vai precisar adaptar depois. O que eu costumo usar como base é uma sequência com cinco parlendas, cada uma com três atividades: leitura com marcado de rimas, completação de versos e produção de nova estrofe. Leva em média 45 minutos por atividade. Se a turma for homogênea e tiver bom nível de alfabetização, você consegue fazer tudo em duas aulas. Se houver alunos ainda em fase de consolidação da leitura, separa para três aulas, com o suporte de leitura em duplas na segunda metade.

Quando a atividade não funciona

Parlenda não é solução mágica para turmas desorganizadas ou com muitos alunos defasados. Se a turma tiver mais de 25% dos alunos abaixo do nível esperado de leitura, a atividade perde eficiência porque a carga de decodificação sobrepõe a análise linguística. Nesses casos, o recomendável é fazer primeiro uma etapa de apoio com os alunos que ainda estão consolidando o código alfabético, usando parlendas apenas para reconhecimento auditivo e repetição, sem cobrança de produção escrita individual. Também não funciona bem se você usar apenas parlendas muito longas. A estrutura padrão de 4 a 6 estrofes curtas é o ideal. Acima disso, os alunos perdem o fio da memória e a rima deixa de ser percebida como padrão. Eu já tentei trabalhar "Vem cá, meu bem, vem cá" inteira e a turma inteira travou na terceira estrofe. Reduzi para as primeiras duas e o resultado foi completamente diferente.

Dica final que parece óbvia mas não é

Não avalie a parlenda como prova escrita isolada. A avaliação deve ser processual: observe a participação na leitura coletiva, a capacidade de identificar rimas durante a atividade oral, a participação na produção coletiva e o registro final no caderno. Uma produção coletiva bem-feita vale mais do que dez produções individuais feitas na pressa. E anote os nomes dos alunos que demonstraram compreensão mesmo sem produzir texto escrito ainda; esses são os que mais precisam de acompanhamento diferenciado. O material que eu uso inclui um caderno com parlendas selecionadas, fichas de rimas para recorte e colagem, e um rubricas simples de observação. Se quiser, posso compartilhar o link de um documento Google que monta essa sequência completa, organizado por aula, com orientações passo a passo e versões editáveis das atividades.