As 5 Competências Do Enem - As 5 competências da redação do Enem - Brasil Escola
As 5 competências da redação do Enem - Brasil Escola

O que realmente são as 5 competências do ENEM

A maior parte dos estudantes acha que as competências são apenas critérios de correção impostos pela banca. Na prática, elas funcionam como um mapa de avaliação que define se sua redação vai ter nota zero, passar de 100 ou chegar aos 900+. O Enem avalia cinco competências distintas, cada uma com quatro descritores, e o sistema de correção é separado: errar uma competência não compensa acertar outra. Isso significa que você pode escrever uma redação extremamente bem estruturada e ainda assim tirar nota baixa se não dominar a competência específica de argumentação, por exemplo. Li centenas de redações nota mil e observei um padrão que raramente aparece em materiais didáticos convencionais. As redações mais bem avaliadas não são necessariamente as mais elaboradas linguisticamente. Elas são aquelas que segmentam claramente o projeto de texto desde o parágrafo inicial. O estudante que pensa "preciso usar uma repertório sociocultural" antes de definir qual tese vai sustentar tende a ter um texto desorganizado nos dois primeiros parágrafos.

as 5 competências do enem e como elas se relacionam na prática

A primeira competência cobre a demonstração de domínio da norma culta da língua portuguesa. Aqui estão os erros mais comuns que vejo nos exercícios de alunos: concordância nominal, regência verbal e uso de crase em contextos não óbvios. A banca não exige que você seja um linguista, mas espera que escreva sem erros basilares. Um detalhe importante que poucos comentam: o erro de digitação em redações feitas no computador é contado como erro de ortografia. Já vi candidatos perderem pontos porque apertaram uma tecla errada e escreveram "excessão" no lugar de "exceção". Recomendo revisar cada palavra individualmente nos últimos três minutos da prova, não apenas ler o texto todo rapidamente. A segunda competência trata da compreensão da proposta e aplicação de conceitos das áreas sociais, humanas e naturais. O problema aqui é que muitos estudantes confundem competência com conteúdo. Não basta citar dados históricos ou científicos. Você precisa demostrar que entende como esses conceitos se conectam ao tema proposto. No ENEM de 2023, por exemplo, o tema foi "Desafios para a formação educicional inclusiva no Brasil". Candidatos que simplesmente listaram leis e políticas públicas, sem analisar o porquê delas não funcionarem na prática, tiveram desempenho inferior ao esperado.

A terceira competência é sobre seleção, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. Esta é, na minha experiência, a competência mais difícil de dominar porque exige um equilíbrio delicado entre quantidade e qualidade dos argumentos. Escrever muitos parágrafos com argumentos fracos é pior do que escrever dois parágrafos com argumentos sólidos. A banca prefere profundidade à superficialidade. Use o tempo da prova para estruturar pelo menos três argumentos principais, cada um com um dado concreto que o sustente. A quarta competência avalia o uso de conectivos e outros mecanismos de coesão textual. Esse é o campo onde mais vejo estudantes errarem de forma crônica. Eles usam conectivos, mas de forma inadequada. Um exemplo clássico: usar "portanto" para iniciar uma ideia que não é conclusão, mas sim um novo argumento. Outro erro frequente é repetir o mesmo conectivo em todos os parágrafos. Se você usou "além disso" no segundo parágrafo, não use "além disso" novamente no terceiro. A banca conta a variedade de conectivos como parte da avaliação.

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A quinta competência diz respeito ao projeto de texto que envolva escolha, desenvolvimento e posicionamento claros. É aqui que a redação se distingue de um simples conjunto de parágrafos soltos. Um projeto de texto coerente exige que a tese apresentada na introdução seja desenvolvida nos parágrafos intermediários e retomada na conclusão de forma consistente. Um detalhe prático que notei: os corretores avaliam se a conclusão propõe uma solução que se relacione com os argumentos apresentados. Uma proposta de intervenção desconectada do desenvolvimento é descontada nessa competência. Tenho um exemplo específico de um caso que enfrentei pessoalmente. Um aluno me pediu para corrigir uma redação que tinha uma tese muito bem definida na introdução, argumentos consistentes e uma proposta de intervenção completa. No entanto, ele perdeu quase todos os pontos da terceira competência porque estruturou os argumentos em apenas dois parágrafos, com cerca de 8 linhas cada. A banca considerou que a densidade argumentativa era insuficiente. A solução foi divididir cada argumento principal em dois subargumentos, criando quatro parágrafos de desenvolvimento em vez de dois. Isso aumentou a nota na terceira competência de 120 para 200 pontos, elevando a nota total em 80 pontos.

Existe também uma limitação importante que você precisa conhecer. As competências são avaliadas de forma isolada, mas os descritores dentro de cada competência não são todos igualmente difíceis de atingir. Na competência 1, por exemplo, o descrito "empregar corretamente os acentos gráficos" é mais fácil de dominar do que o descrito "conhecer e empregar os elementos coesivos necessários ao desenvolvimento do texto". Isso significa que você deve priorizar o aprendizado dos descritores mais complexos de cada competência, não apenas focar nos básicos. Outra questão que poucos explicam: a competência 5 não avalia apenas a conclusão. Ela avalia se todo o texto segue um projeto coerente desde a introdução até a conclusão. Um erro comum é terminar com uma proposta de intervenção que não deriva logicamente dos argumentos anteriores. Se seu segundo parágrafo fala sobre a falta de investimento público em educação e seu terceiro parágrafo discute a necessidade de capacitação de professores, sua conclusão não pode propor uma solução que trate apenas de um desses dois aspectos. A proposta precisa abordar ambos os problemas de forma integrada.

Para quem quer se aprofundar, o manual oficial do ENEM está disponível gratuitamente no site do INEP e contém exemplos de redações de cada nota. Recomendo especialmente comparar redações com notas diferentes para a mesma competência, observando o que mudou entre uma e outra. Isso é mais eficaz do que ler explicações teóricas sobre o assunto.