Agostinho de Hipona: Últimos Dias e Falecimento
Agostinho de Hipona morreu em 28 de agosto de 430 d.C., aos 76 anos, durante o cerco vândalo à cidade de Hipono, no norte da África. Seus últimos meses foram marcados pela doença, pela crise política e pela queda iminente da cidade que ele havia sido bispo por quase três décadas.
Contexto histórico do agostinho de hipona falecimento
O Reino Vândalo, liderado pelo rei Genserico, sitiou Hipono a partir de abril de 430. A cidade estava praticamente isolada, sem acesso a suprimentos adequados. Agostinho, já idoso e fragilizado, recusou-se a abandonar seu rebanho. Em uma carta escrita nesse período, ele expressou temor de que os vândalos, arianos como eram, pudessem destruir as igrejas e forçar os católicos à conversão. O bispo passava cada vez mais tempo em oração e jejum. São Próspero de Aquitânia, seu secretário e biógrafo precoce, registrou que Agostinho pediu para que um poema homético fosse removido de sua cela, pois o distraía de seus pensamentos sobre a morte e a vida eterna.
Os últimos dias
Nos meses que antecederam sua morte, Agostinho sofreu de uma febre persistente. Alguns historiadores sugerem que pode ter sido disenteria ou alguma infecção intestinal, comuns em cidades sitiadas com água contaminada. Ele passou os últimos dias de pé, mas debilitado, ditando cartas e tratando dos assuntos pastorais enquanto a situação militar piorava. Há uma tradição, embora não totalmente verificada, de que ele ordenou que um texto chamado Repentirios (provavelmente uma referência aos Salmos Penitenciais) fosse colocado em seu leito, para que pudesse recitá-los enquanto agonizava. Outros relatos indicam que pediu para ter as relíquias dos mártires colocadas sobre seus olhos, buscando conforto na presença dos que já haviam vencido a morte.
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A data exata
O falecimento ocorreu em 28 de agosto de 430. Alguns manuscritos posteriores mencionam que ele teria morrido às três horas da tarde, durante a Sexta-feira da Paixão, mas essa é contestada por estudiosos. O que se sabe é que a notícia de sua morte chegou a Cartago poucas semanas depois, quando os vândalos finalmente tomaram a cidade, em setembro ou outubro de 430. Genserico, embora ariano, não atacou imediatamente os católicos após a conquista. Ele permitiu que os bispos fugissem e que os ritos fúnebres fossem realizados. O corpo de Agostinho foi transferido para Cartago, onde permaneceu até ser levado por muçulmanos séculos depois, durante as invasões árabes do Norte da África.
Legado dos últimos escritos
Durante o cerco, Agostinho escreveu sua obra-prima tardia, A Cidade de Deus, começada em 413 e concluída pouco antes de sua morte. O livro responde às acusações de que o cristianismo teria enfraquecido Roma ao substituir os antigos deuses. Para Agostinho, as cidades terrenas são sempre transitórias; apenas a Cidade de Deus é eterna. Outros escritos finais incluem comentários sobre os Salmos e tratados contra o pelagianismo, que ele via como uma ameaça direta à doutrina da graça. Nesse período, sua saúde física declinava, mas sua produção intelectual permaneceu intensa. Ele ditava cartas a um ritmo impressionante, respondendo a questões teológicas de toda a África ocidental.
Curiosidade histórica
Um detalhe pouco conhecido é que Agostinho passou seus últimos dias ditando comentários sobre o Livro do Gênesis. Essas homilias, conhecidas como Enarrationes in Psalmos e trabalhos paralelos sobre Moisés, foram escritas enquanto a cidade era bombardeada. Ele mencionava, em tom seco, que a guerra era castigo divino pelos pecados do povo, mas também expressava esperança de que a provação temporária prepararia o caminho para uma paz maior. Seus últimos palavras, segundo a tradição, teriam sido: "O Rei do século vai chegando. Ide encontrá-Lo." Não se sabe se essas palavras foram realmente proferidas ou se são posterior adição hagiográfica. O que é certo é que ele morreuorando, com as mãos estendidas em sinal de cruz, num gesto que se tornaria icônico nas representações artísticas posteriores.
O que aconteceu com seus restos mortais
Após a morte, o corpo de Agostinho foi sepultado na catedral de Hipono. Quando os vândalos tomaram a cidade, seus restos foram transferidos para Cartago, onde permaneceram em segurança por vários séculos. No entanto, com as conquistas muçulmanas do século VII, os relicários foram perdidos. Alguns relatos medievais afirmam que seus ossos foram levados para a Itália, possivelmente para Pavia, mas essas afirmações carecem de comprovação documental sólida. A data de sua morte, 28 de agosto, tornou-se feriado litúrgico na Igreja Católica e em diversas denominações protestantes. A celebração, conhecida como Festa de São Agostinho, é marcada por reflexões sobre sua conversão, sua obra teológica e seu legado como doutor da Igreja.